A psicóloga Kelli Cardoso foi entrevistada pelo site VC, onde procurou esclarecer um pouco sobre o Transtorno Bipolar.

Confiram a entrevista aqui ou pelo site.

“O transtorno bipolar é um tema muito abordado e pouco esclarecido”, diz psicóloga

Por Cristiano Oliveira
Fotos Zé Silva

Caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor, o transtorno bipolar é uma doença de difícil diagnóstico e que afeta muitos brasileiros. As consequências da doença são diversas e incluem desde variações repentinas de ânimo, entre estados de alegria e tristeza, até mudanças patológicas acentuadas, como a depressão.

Para dar continuidade a série especial de matérias sobre o comportamento humano, o Site da Cidade esclarece algumas dúvidas sobre o transtorno bipolar.  Quem nos trouxe mais detalhes sobre a doença foi a psicóloga Kelli Cardoso, que trabalha com a psicoterapia em Vitória da Conquista. Confira abaixo a entrevista completa com a profissional.

Site VC: O que é o transtorno bipolar e quais são as variedades ou formas dessa doença?

Kelli Cardoso: O transtorno bipolar é um tema muito abordado e pouco esclarecido. É uma doença de grande impacto na vida das pessoas, das famílias e na sociedade de forma geral, pois causa alguns prejuízos frequentemente irreparáveis em vários setores da vida do paciente, como na questão financeira, na saúde, além de provocar sofrimento psicológico. O transtorno bipolar é conhecido também como transtorno de humor e manifesta-se igualmente em mulheres e homens, e nas diferentes faixas etárias.

Nós chamamos as variedades da doença de episódios, que podem ser mania, hipomania, depressão ou mistos, cada um deles com suas próprias características. A mania é o estado exaltado de humor do paciente; a depressão é de certa forma o oposto, a falta de exaltação; a hipomania é semelhante a mania, no entanto com menor intensidade; e os episódios mistos são caracterizados pela melancolia e pela mania.

Site VC: Como diagnosticar o transtorno bipolar?

Segundo a psicóloga a participação da família no tratamento do bipolar é essencial. Foto: Zé SilvaKelli Cardoso: Quando o paciente está na fase da mania fica muito complicado dele mesmo perceber que sofre de transtorno bipolar, pois, geralmente, ele está muito alegre, com a vida social ativa e muito feliz. Quem está próximo é que realmente começa a perceber as alterações, contribuindo para um diagnóstico rápido. Primeiro, é essencial que a pessoa procure um psiquiatra, para que seja diagnosticado e medicado, caso for necessário. Em seguida, é muito importante procurar um psicólogo que realize o trabalho de psicoterapia. É fundamental que a pessoa procure um bom tratamento, que se adeque às suas necessidades.

Site VC: Quais os principais fatores que causam a doença e como lidar com uma pessoa bipolar?

Kelli Cardoso: A causa da doença não é totalmente conhecida. Sabe-se que fatores biológicos, genéticos, sociais e psicológicos somam-se no desencadeamento do problema. Em geral, lidar com um portador de transtorno bipolar requer muita paciência e atenção, pois ele nem sempre sabe e aceita sua condição. É essencial o cuidado dos familiares e, sem dúvida, procurar um especialista que venha trabalhar junto com o paciente em suas especificidades, já que cada bipolar vai necessitar de cuidados e medicamentos específicos. É interessante que o tratamento seja em conjunto, reunindo o psicólogo, o psiquiatra, os familiares e os amigos mais próximos.

Site VC: Muita gente confunde bipolaridade com dupla personalidade. Quais são as diferenças?

Kelli Cardoso: Antes o transtorno bipolar era conhecido como psicose maníaco-depressiva, pois se acreditava que o problema podia estar na psicose, que a pessoa estava fora da realidade. Depois de estudos, especialistas perceberam que o transtorno bipolar é resultado do transtorno de humor, pois é uma alteração dos estados patológicos, seja na mania ou na depressão. A dupla personalidade é diferente e pode trazer prejuízos como a incapacitação de funções cognitivas e perceptivas.

Site VC: Em Vitória da Conquista, o diagnóstico desse transtorno é frequente?

Kelli Cardoso: Aqui na cidade existem casos de pessoas com transtorno bipolar, tenho alguns pacientes. Se alguém achar que possui a doença, precisar de mais informações ou esclarecimentos, é essencial procurar um psiquiatra, para que seja diagnosticado e medicado e, em seguida, comece a realizar psicoterapia. Na cidade também existem serviços públicos que fazem o acompanhamento, junto com a equipe de saúde. A pessoa precisa de ajuda, precisa ser acompanhada de forma contínua pelo psicólogo e pelo psiquiatra. Mas, ressalto novamente que o tratamento deve ser conjunto e envolver também a família.

Confira essa e outras reportagens no site VC – O site da cidade.