O filme mais ambicioso que assisti, não só para crianças, mas incluo a indicação para adolescentes e adultos!

Falar das emoções de forma lúdica é uma excelente pedida nos dias de hoje, em que as pessoas avançam em tantas áreas, mas em outras parecem não saber lidar com as suas próprias emoções e os seus sentimentos. Afinal estamos em uma época que tristeza se resolve com remédios e os números de diagnósticos relacionados a saúde mental estão aumentando a cada dia.

A proposta do filme é adentrar a mente de Riley – onde a maioria do filme se passa – uma garota entre a infância e a adolescência que, após se mudar com os pais de Minnesota para a Califórnia, convive pela primeira vez com oscilações de humor.

Antes da mudança de cidade o filme mostra o surgimento das emoções – que são os personagens principais: Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo. E nesse momento tudo parece “caminhar bem”, a personagem tem pais amorosos, boas amizades é feliz na escola e a alegria é a emoção predominante.

Nesse momento, podemos começar com uma análise, na qual a alegria é controladora durante toda a vida de Riley; ela quer que a personagem fique sempre feliz e para isso, tenta a todo o custo que as outras emoções não se expressem, principalmente a tristeza que não tem muita função. Ou seja, a alegria monopoliza a “sala de controle”, que é a mente da garota.

Nesse momento, que Riley se muda de cidade e descobre que a vida não é feita apenas de bons momentos e a alegria não é a única emoção quando o pai muda de trabalho e precisa se afastar da família, é o momento que as coisas de fato mudam, além das suas dificuldades na escola. É nesse momento que descobre que a vida não é feita apenas por bons momentos.

Em um dos grandes momentos do filme a Alegria e Tristeza se perdem nas memórias de longo prazo e as outras ficam responsáveis por orientar seu comportamento, a partir daí tudo desanda, e Riley fica apática sem as emoções principais e com isso, age com comportamentos equivocados, na tentativa de uma solução para os seus problemas.

Nesse caminho da mente da garota, a Alegria e Tristeza encontram o amigo imaginário Bing Bong, que para que o amadurecimento aconteça de Riley precisa ser esquecido! Uma cena triste, porém, necessária para a sua maturidade. Nessas cenas, uma parte que mais me chamou atenção foi que que a Tristeza resolve um problema apenas por ter escutado o desabafo de Bing Bong! Um grande ensinamento, não é mesmo?

O simbólico do filme é justamente esse o equilíbrio das emoções, não há emoções boas nem ruins. Na verdade, todas fazem parte da nossa personalidade o que interfere é justamente saber lidar com todas elas na nossa “central de comando”.

O filme fala, portanto, de um dos problemas mais sérios da nossa época, a dificuldade de lidarmos com as nossas emoções, o querer estar sempre feliz e não vivenciarmos de fato as situações da vida, que podem nos deixar tristes, com raiva, com medo. O diferencial de fato é sabermos e ensinar as nossas crianças a lidar com tudo isso. Tarefa difícil? Talvez agora mais fácil, pois os pais podem usar os exemplos do filme para conversarmos e esclarecer sobre as crianças o que acontece “dentro de nós”.

Não há vida sem momentos tristes, a alegria por si só não resolve os problemas, pois há momentos que a tristeza precisa ser vivenciada.

A maturidade emocional só existe quando conseguimos equilibrar nossas emoções, como ensinar isso a seus filhos? Assunto para o próximo texto!