“- Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim… e não encontram o que procuram…
– Não encontram, respondi…E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d’água…- É verdade. E o principezinho acrescentou: 
– Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração…”

Um filme para pessoas sensíveis, se assim pudesse definir a sensação que tive após assistir ao filme “Pequeno Príncipe”, baseado no livro clássico Antoine de Saint-Exupéry.

O filme começa com uma excelente crítica ao modelo de criação, geralmente desejada pelos pais, no caso do filme por uma mãe rígida em relação ao seu desejo de uma educação de qualidade para sua filha uma criança de 9 anos, que segue rigidamente o modelo imposto por ela.

A família da garotinha se resume a ela e sua mãe, a qual trabalha muito; o pai é colocado como não participativo, sendo um modelo muito comum de família nos dias atuais. Por quanto os pais se preocupam em dar uma escola de qualidade para os filhos, aumentam as horas de trabalho para isso e acabam negligenciando aspectos da infância como qualidade do tempo com os filhos? Ou mesmo rotinas rígidas e puxadas para as crianças que não tem um tempo para se divertirem e serem crianças?

A menina segue fielmente as ordens impostas pela mãe, até conhecer o aviador que através da história do pequeno príncipe aprende as lições de vivenciar a infância e preservá-la, além dos ensinamentos de amizade e perda. Por aí começa o encantamento de uma criança para aprender o que de fato é essencial, que é o invisível aos olhos.

Um dos momentos que me chamou atenção é o momento que a filha consegue questionar o modelo de educação, questiona de quem é o sonho que a mãe tanto faz questão para ela. Quantas vezes, sonhamos pelos nossos filhos? Quantas vezes queremos que os nossos sonhos eles realizem?

São inúmeras emoções que sentimos ao mergulhar no enredo de sonho e poesia. Somente quando encontramos a essência do que é essencial para nós que o filme ou o livro começa a fazer sentindo e para isso necessita de uma maturidade e sensibilidade independentemente da idade, afinal não é uma história infantil, é uma história contada com olhos da infância e que pode ser interpretada por qualquer idade.

Passando por temas relacionados ao modelo de trabalho, consumismo e educação é uma leitura da nossa sociedade contemporânea, associada ao clássico livro do Pequeno Príncipe.

Que todos possam ao assistir ao filme e se encantar com a essência da infância, e como diz o aviador “O problema não é crescer, é esquecer”.