É através da família que a criança realiza suas primeiras aquisições e experiências; se depara com os primeiros outros e a partir daí que seu mundo começa a ter significado influenciando também na constituição do próprio sujeito. Mas como a família pode influenciar na aprendizagem da criança?

Na relação entre a família e a aprendizagem, pesquisas atuais apontam sobre o papel da família sobre a não aprendizagem – excluindo causas orgânicas e intelectuais que impedem o acesso do aluno ao conhecimento – como fator primordial sobre o fracasso escolar. Apesar de reconhecer os déficits pedagógicos como fatores que também influenciam sobre o não – aprender, a família também é participante nesse processo de bloqueio e inibição da criança para o conhecimento.

Um ponto extremamente importante é sem dúvida a não satisfação de necessidades afetivas, cognitivas e motoras que acabam por afetar diretamente o processo de ensino – aprendizagem.

Atualmente um dos focos no tratamento do paciente com alguma dificuldade de aprendizagem é a família, antes na forma tradicional de se compreender a dificuldade escolar se centrava exclusivamente na criança, e perpassava a ideia que o problema estava somente nela.

Hoje se considera que a origem dos problemas de aprendizagem não se encontra na estrutura individual; a dificuldade se apoia em uma rede de vínculos familiares que se cruzam com uma rede particular individual.

É importante ressaltar que não é possível encontrar um tipo específico de família que corresponda ao paciente que tem algum problema de aprendizagem.

Os aspectos específicos e diferenciais de cada família proveem um terreno fértil para a formação de um sintoma relacionado à aprendizagem que se relaciona com o tipo de circulação do conhecimento entre outros aspectos específicos de cada família.

O formação do sujeito se estrutura a partir do discurso social, pelo desejo e pela fala dos pais para a criança e sobre a criança, mas sofrerá mudanças a partir das relações sociais. A criança precisa inicialmente do amor dos pais, para experimentar o prazer e o desejo de pensar. A criança só desenvolverá o seu “eu” a partir do desejo de aprender, e se os adultos, pais e professores investirem nela o seu desejo por aprender.

Finalizo apontando sobre a noção de aprendizagem que sugere a possibilidade de autonomia, tanto para a criança quanto para o adulto, e pode ser impedido por desejos inconscientes e conscientes, portanto, os sistemas familiares estão relacionados aos sintomas relacionado à aprendizagem.