Uma criança pode ficar triste sem que isso indique um problema, claro! Mas a depressão infantil existe sim. Anteriormente acreditava-se que era rara ou não existia, mas atualmente não há mais dúvida em relação ao diagnóstico e atualmente é fruto de inúmeras pesquisas e estudos.

O que se tem percebido nos últimos anos é que o quadro clínico se caracteriza pela associação de vários sintomas que não se restringem apenas a tristeza.

A depressão em si é cercada por muitos tabus, e quando falamos de infância os mitos e dificuldades de entendê-la parecem ainda maiores; essa característica pode ser explicada pelo imaginário social de que na infância não temos preocupações ou mesmo problemas.

Quando se trata de depressão infantil, a tristeza passa a ser persistente e pode prejudicar o desenvolvimento acadêmico e social das crianças. Na escola logo perdem a iniciativa e deixam de aprender, o que facilmente observado pelos profissionais que acompanham a criança.

Geralmente as crianças estão sempre em atividade, explorando o ambiente e querendo descobrir novidades; quando a criança está insegura, esse desejo desaparece, então os pais precisam ficar atentos quando as crianças passam a ficarem quietas, com medo de separar-se das pessoas significativas.

Um dos primeiros sinais de que uma criança pode estar com depressão é a mudança de comportamento, principalmente quando é repentina e duradoura; mas há outros pontos que também os pais podem ficar atentos como falta de apetite, alterações no sono, irritabilidade medo demasiado, choro excessivo. A tristeza, portanto, é apenas um dos sintomas.

Na maioria das vezes crianças sentem tristezas passageiras direcionadas a um fato específico que tende a passar com o decorrer dos dias;  caso a criança passe a ficar muito triste por mais de duas semanas, é bom os pais ficarem de olho pois é um sinal de que algo não vai bem.

É importante falarmos que como as crianças não tem a capacidade de nomear seus próprios sentimentos e emoções a manifestação da depressão pode ocorrer de outras maneiras, por vezes, podem aparecer sintomas físicos como dores de barriga, dor de cabeça, entre outros porque é mais fácil explicar males orgânicos, do que um de caráter emocional.

Apesar de não existir uma única resposta para a origem do problema, podemos citar que além da predisposição genética – que só se inicia quando fatores estressantes ocorrem no ambiente de convívio –  há fatores como brigas, agressões, maus tratos, dificuldades escolares, bullying, doenças de pessoas próximas, lutos, divórcios dos pais entre outros que podem mobilizar conflitos psíquicos difíceis de serem dissolvidos.

A observação dos pais é fundamental e caso observem mudanças de comportamento é muito importante a procura de um psicólogo infantil; muitas vezes que não se configura um transtorno, pode-se aprender a prevenir estados patológicos.

Quando os pais tem relações próximas com o filho é mais fácil perceber se está havendo mudanças preocupantes.

No caso das crianças, o uso do medicamento nem sempre é necessário; por vezes, somente a psicoterapia pode ser a única forma de acompanhamento.  O trabalho da família e com a parceria da psicoterapia costumam ser muito importantes para a melhora do quadro clínico.