Realmente é uma tarefa difícil saber quando acaba a autoridade e quando começa o autoritarismo.

Para começar podemos pensar que o autoritário é aquele que exerce o poder utilizando apenas o seu ponto de vista, visto sempre de forma correta e nunca leva em conta o que o outro deseja ou pensa.

Nesses casos o autoritário, poucas vezes age em benefício do outro e o que conta a maioria das vezes é o seu próprio interesse. Por exemplo, um pai autoritário é aquele que não deixa o filho brincar na sala porque naquele dia ele está de mau humor, mas num outro, de bem com a vida, não só permite como até convida a criança para fazer tal comportamento.

O pai que tem autoridade, de maneira diferente ouve e respeita seu filho, mas pode, por vezes, ter de agir de forma mais dura do que gostaria, às vezes até impositivamente, mas sempre terá como objetivo bem-estar do filho, protegê-lo de algum perigo ou orientá-lo em direção a um comportamento seguro e aceitável socialmente.

O que quero mostrar aqui é que quando os pais agem com segurança e firmeza de propósitos, mas com afeto e carinho, podem atingir os objetivos sem autoritarismo e, muito menos, sem usar da violência física para tanto.

Portanto, dar limites não é oposto de dar amor, carinho e atenção. Está mais associado a constância das atitudes e regras claras!

Quando os pais trabalham juntos nesse sentido e, a cada oportunidade que surge, estabelecem limites – explicando as regras, deixando claro qual o limite de cada comportamento e estabelecendo as atitudes e consequências de cada ato – com o passar dos anos, a criança aprende as regras básicas da socialização.

Mas, quando por insegurança das atitudes das suas próprias que por vezes está relacionado ao medo de ser autoritário, os pais deixam de exercer essa função a criança começa a apresentar dificuldades em aceitar qualquer tipo de limites e desejos.

Portanto, não tenha receio de exercer a sua autoridade enquanto pai ou mãe, seja firme e claro nas regras, valorize as atitudes positivas e ignore ou reprove as negativas. Será um processo que será construído durante a maior parte da infância, pois cada fase exige posturas diferentes, mas realizando essa postura no dia-a-dia é mais fácil a criança aprender e lidar com as regras e limites.

* Texto publicado originalmente no blog do Descobrindo Crianças: A infância sob o olhar da Psicologia