Li recentemente pesquisa que a revista Crescer  realizou pela internet em 2011 com mais de cinco mil mães, além de acompanhar a rotina de três famílias e entrevistas com outras dezenas de mulheres, pais e especialistas. Os resultados foram publicados em novembro trazendo um perfil das mães brasileiras.

Os dados que mais me chamaram a atenção dizem respeito à culpa das mulheres por trabalhar fora (72%), enquanto que 62% abririam mão da carreira.

A maioria das mulheres hoje em dia necessita trabalhar fora, uma conquista histórica; mas depois de serem necessárias no mercado de trabalho e ocuparem cargos importantes surge à culpa por não estarem presentes na vida dos filhos.

Considero importante relembrarmos o “ideal de mãe” aquela que permaneceu na sociedade nos tempos das nossas avós, mas que ainda prevalece na maioria do imaginário feminino, aquela que se desdobra para realizar mil tarefas domésticas, ser uma mãe exemplar, ou seja, aquela que cuida em tempo integral dos filhos.Esse modelo mudou, pois agora mulheres se desdobram para cuidar das crianças, trabalhar em tempo integral e ainda realizar algum tipo de atividade doméstica; aí surge a culpa por não estar presente em tempo integral na vida dos filhos, nesse ponto considero importante discutirmos alguns aspectos: inicialmente é que a criança não necessita da mãe vinte e quatro horas por dia, é importante esclarecer que a criança necessita estar em segurança junto de uma pessoa confiável – seja uma babá de confiança ou uma creche ou escola especializada – e que saiba sempre da verdade – independente da sua idade – que a mãe não esta ali naquele momento pois está trabalhando, mas que depois voltará; mesmo que a criança fique triste e chore com a separação é importante que não se esconda ou minta para a criança nesse momento, o que pode ocasionar culpa materna.

Como seria, por exemplo, uma mãe que estudou e se preparou para o mercado de trabalho e decide abandonar sua carreira para ficar com os filhos? É importante lembrar que os filhos crescem, ou muito antes, por exemplo, na fase escolar – que é o foco da atenção deles os colegas e a professora – e depois continuam vivendo suas vidas; é que ocasiona a síndrome do ninho vazio, que falarei em outro texto. Ou em outro caso, os filhos não necessitariam de uma mãe depressiva por, exemplo.

Por fim, é importante frisar que uma criança não necessita de uma mãe com atenção exclusiva por 24 horas, o que seria até prejudicial; uma educação saudável condiz que ambos tenham outras atividades e saibam aproveitar o tempo juntos, que por mais difícil que possam ser, precisam ser aproveitados com atenção para a criança. Além da satisfação de suas necessidades fisiológicas e afetivas.