“As crianças precisam aprender a lidar com a perda, em vez de serem protegidas da tristeza”

A morte de um ou ambos os genitores  durante a infância, pode afetar o desenvolvimento infantil tanto a curto quanto a longo prazo, já que o rompimento de um vínculo por morte exige uma grande reorganização emocional por parte da criança e da família, que também se encontra fragilizada pelo impacto do evento.

A separação por morte é um evento de grande estresse para a criança, pois não deixa de interferir a segurança e sobrevivência emocional e muitas vezes a material, como mudança de residência, alteração da figura de identificação e apoio e outras de modo geral. A criança acaba perdendo o mundo que ela conhecia e torna difícil lidar  com os sentimentos que invadem nesse momento como culpa, tristeza, isolamento, medo de ser abandonado, saudade do ente e raiva por não poder reencontrá-la.

Uma das mais difíceis de serem elaboradas é a morte repentina que é muito diferente de mortes que podem ser esperadas ou compreendidas como normais como resultado do ciclo vital, como morte de avós ou mesmo de pais já idosos, quando o filho encontra-se na idade adulta. Geralmente, essas perdas abruptas, quase sempre tem um caráter traumático para os familiares sobreviventes e ainda mais para a criança, já que não tem chance de realizar um luto antecipatório, de maneira a preparar-se psicologicamente para tal.

Nesses momentos é muito importante que os adultos que estejam envolvidos com a criança busquem apoio e esclarecimento para compreender o seu próprio processo de luto e revelar uma reação sadia à perda, como expressar seus sentimentos e receber apoio. As crianças geralmente aprendem sua resposta à perda com os adultos da família.

É indispensável o apoio dos membros da família, paciência, estrutura da sua rotina e amor e paciência, em momentos de irritação e agressividade; quando alguém morre, as crianças geralmente ficam com medo de morrer e de que outras pessoas morram.

É de extrema importância uma explicação adequada sobre a causa da morte, com o uso de termos corretos como morrer e morte. Termos vagos como “foi viajar”, “dormiu” ou “se mudou para o céu”, mesmo com a tentativa de protegê-las da verdade apenas aumentam a confusão.

Não exclua as crianças quando a família ou amigos vierem confortar os adultos enlutados, ou em momentos de choro; evitar falar sobre o ente querido ensinam ás crianças que a morte é um tabu. Auxilie a criança a aprender a reconhecer, nomear, aceitar e expressar sentimentos, se a família está com dificuldades, procurem um psicólogo infantil para ajudar no manejo nesse momento.